Uma pedalADA pela América - Uma imersão na imensidão (e solidão) patagônica





Resolvi que de Viedma seguiria em trem até uma cidade chamada Engenheiro Jacobacci, cidade esta situada em meio a patagônia argentina. De lá sim, seguiria um caminho de rípio até El Maitén e em seguida, Lago Puelo.

A viagem de trem, todos diziam que era uma viagem linda...passando em meio a toda imensidão patagônica. Realmente deve ser, não fosse o fato de viajar a noite e não dar pra ver muita coisa, então não achei nada tão espetacular. O trem em si, deve ter seus encantos...eu, como estava num vagão econômico, não desfrutei de muita coisa. Na verdade aproveitei mesmo pra tentar dormir e chegar descansada pro dia seguinte de pedal.



Uma coisa boa foi que despachei a Branquinha sem problemas, montada e com alforges e tudo mais. E assim ela chegou no seu destino final.

Bom, iria então cruzar lá pro outro lado da Argentina, pra perto da cordilheira, iria finalmente começar a subir montanhas, enfrentar o frio (ai que medo), mas também iria me aproximar de paisagens lindas e muito distintas das que eu estava até então acostumada.

Assim que cheguei na cidade de Jacobacci, já senti diferença. Era uma cidadezinha pequena, dessas bem de interior, e não muito turística. As pessoas olhavam meio que assustadas comigo e com a bike, sempre fazendo perguntas. Como era feriado de semana santa, a cidade estava vazia, seu comércio fechado, então dava ainda mais um aspecto de cidade de faroeste.

Antes de ir pra estrada fui comprar algumas comidinhas e tentar comprar combustível pro fogareiro. Feito isso segui meu caminho. Já eram dez e meia da manhã, confesso que era tarde, mas, como que teoricamente eu teria poucos quilômetros pela frente (uns 50km) daria pra ir tranquila até o entardecer.

Os primeiros quilômetros no rípio foram tranquilos, sim, neste caso, o rípio ainda era melhor que muitas estradas do Brasil. Mas depois, o vento aumentou...a paisagem sumia na imensidão de poeira que se formava a frente...e a paisagem...essa, quando visível, era sim um espetáculo a parte. Uma imensidão, seca, mas com montanhas ao fundo...um céu infinito, meio que de Brasília...bem bonito e ao mesmo tempo, por ser tão diferente do que vinha presenciando, assustador.

Insistir em pedalar até mais ou menos meio dia, mas em mais de uma hora foram menos de 8km pedalados. E, como eu já sabia de experiências anteriores, o vento a tarde tende a piorar...

Resolvi escutar meu instinto, escutar a natureza e aproveitei que ainda estava perto da cidade e voltei. Também estava muito cansada pela noite mal dormida. Resolvi que o melhor a fazer era voltar, procurar lugar pra dormir e descansar neste dia, e no dia seguinte, finalmente sair bem cedo.

O mais legal foi que ao virar a bike pra voltar pra cidade, como uma mágica, a velocidade, sem muito esforço, saiu dos 8km/h e passou pra mais de 18km/h...eita vento a favor que nunca vem fazer esse milagre...rss...queria um dia inteiro de vento assim, ainda não tive essa sorte!!!

Bom, já na cidade, encontrei um lugar tranquilo pra passar a noite e fui comer e descansar. Foi a melhor decisão tomada. Pois já sabia que os dias seguintes seriam bemmm punks.

Dia seguinte, bike na estrada...sete horas da manhã ainda era noite, literalmente. Foi a primeira vez que usei a lanterna na viagem. Aos poucos fui deixando a cidade e vendo o dia clarear e em minha frente surgir uma paisagem muito linda...





O dia ficou meio cinza, mas por sorte, sem chuva e sem vento...me via sozinha, numa imensidão seca, sem gente, sem carros, sem casas...muitos e muitos quilômetros só eu, a Branquinha e meus pensamentos...Muitos!!!



A cada pouco que ia subindo, podia ver ao fundo, as montanhas, bem longe...onde eu deveria chegar provavelmente...já tentava imaginar como seria ver a Cordilheira dos Andes, ver neve no alto da montanha...

Já me preocupava com o frio, neste dia, pela manhã fez muito muito frio...e tinha medo de não ter roupas suficientes pra isso tudo.

Há, neste dia, completei 3000km de viagem...pode parecer besteira, mas a cada km pedalado, a cada mil então...bate uma alegria, um sentimento de que sim, vale a pena, e também uma satisfação de conseguir pedalar tantos kms, coisa que antes poderia parecer impossível.



Há, nesse dia também me estatelei no chão. Segundo tombo da viagem. Culpa da minha distração de sempre e do montão de pedras do rípio. Mas foi só o susto mesmo e nada grave.

Bom, depois de 50 km sem nada, finalmente passei por um povoado chamado Ojos de Água. Umas poucas casas e nada mais. O meu destino do dia ficava a 30km dalí.

Neste povoado, também parecendo deserto, um fato engraçado aconteceu. Avistava da estrada, as casas,  mais abaixo...e numa dessas brincavam dois garotos no quintal. Quando eles me viram correram pra dentro de casa. Lá de dentro, todos da casa, ficaram me observando passar, olhando pelo vidro da janela da cozinha. Bem como se eu fosse algum ser completamente diferente de tudo que viram em suas vidas até então...O que pode ser verdade...olhavam com um ar de desconfiança e muita curiosidade. Acenei com um tchau e segui meu caminho.




As quase quatro da tarde me aproximava do meu destino final naquele dia. Acho que faltavam uns 5km pra chegar no povoado, quando ao longe avistei uma casinha na beira da estrada e também ao longe, avistei a chuva vindo do lado esquerdo da montanha...e se aproximava...e depois chuva vindo a frente...pensei...ferrou, tenho que ser rápida, se não a chuva vai me pegar...e detalhe, não parecia chuva pouca.

Apertei o passo pra ao menos tentar chegar na casinha da beira da estrada, avistei duas pessoas em frente a casa. Quando cheguei já fui perguntando se faltava muito pra chegar no povoado porque eu ainda teria que buscar um lugar pra passar a noite.

A moça que aí estava, mais que depressa, respondeu: _"se quiser pode passar a noite aqui, nós temos hospedagem!".

Caramba, nem acreditei, uma hospedagem no meio do nada. Parecia milagre. Tudo que eu mais queria era descansar. E depois avistei uma plaquinha em frente a casa e realmente tinha escrito "Hospedaje".

Bom, este foi até agora o lugar mais simples que fiquei. A dita hospedagem era simplesmente uma caminha, num puxadinho da casa. Era tudo extremamente simples, muito mesmo. Mas confesso que foi um dos lugares que mais me senti acolhida.

Esse lugar me fez lembrar a casa da minha vó Sinhá, uma casa também de roça, muito simples. Casa de barro, chão de terra, fogão a lenha, com as galinhas correndo soltas no quintal. E ali era exatamente assim. E eu me senti muito bem e muito feliz por estar ali.

A Letícia, a "senhora" nada senhora que me recebeu esquentou a água pra eu tomar banho, no maior estilo caneca. Depois fomos preparar a janta, ofereci ajuda, ofereci um pouco de comida que tinha. Compartimos, eu, ela e seu marido uma janta regada a novela argentina e muita conversa.





Ela era extremamente curiosa, me perguntava coisas do Brasil e da viagem. Perguntava como era tudo, como eram os bichos, o campo, o que tinha aqui que não tinha lá. Ela, mais jovem que eu, mas com uma vida dura,e nunca tinha saído pra muito longe dali.

Eu senti que a Letícia com suas perguntas, viajava na minha viagem, nas minhas respostas e ali construía a sua imagem, o seu mundo. Neste momento eu vi, que não era apenas eu que viajava, eles, estavam viajando comigo.

Neste dia, eu dormi pensando num monte de coisa. Em como eles vivem isolados ali, longe da cidade, sem sinal de celular, sem internet, apenas com rádio e TV. E vivem bem, e tem o "conforto" necessário para viver com simplicidade de forma digna. E pensei no tanto que temos e que as vezes não damos valor!!! Pensei no quanto, a todo tempo, queremos as vezes "ter" mais coisas e esquecemos do essencial. Esquecemos que na maioria das vezes a  felicidade mora na simplicidade .


Bom, na nossa conversa a Letícia até me pediu pra ficar mais um dia, disse que ia preparar assado pra mim no dia seguinte, caso eu ficasse. Mas eu realmente, caso o dia estivesse bom, iria partir. Não via a hora de chegar mais perto da Cordilheira dos Andes!!!

O dia em que chorei de emoção ao me deparar com uma natureza mais que perfeita

Dia seguinte não chovia. Apesar de ser 6 horas da manhã parecia noite. A lua estava lindona no céu e as estrelas a todo vapor. Tomei meu café, despedi da Letícia e do seu marido e as sete caí na estrada.


Neste dia me deparei com uma das paisagens mais lindas que vi em toda viagem. Quando eu dei de cara com essa paisagem eu confesso que chorei. Parei a bike, olhei e não podia acreditar. Era lindo demais aquilo ali. Um céu rosa e uma lua linda as quase oito da manhã.





Parecia coisa de filme, tela de cinema. Mas era tudo de VERDADE!!!! Eu me emocionei. E agradeci por poder vivenciar aquilo tudo. Por estar tão bem comigo, com a vida, feliz e sendo abençoada por uma natureza tão perfeita.

Bom, a paisagem era linda, mas o frio não perdoava. O meu pé e mãos congelavam. Tive que parar a bike, botar mais meias e dar uns pulinhos pra esquentar o corpo enquanto o sol não vinha. 

Esse foi um dia com muitas descidas, mas depois delas, infinitas subidas. Jesuis, como subi!!! Chegou ao ponto de pensar que eu tava indo pro céu porque não parava mais. Mas também, quando, do alto de uma dessas montanhas, eu pude ver lá de longe, a CORDILHEIRAAA...cara, foi demais.

Gente, é muito lindo e assustador essa cadeia de montanhas. 



Fiquei só imaginando que dali a alguns dias eu estaria ali e que, eu ia ter que cruzá-las. Ai que medo.
Mas segui forte e confiante. Esse foi um dia duro. O rípio e o sol cozinharam minha cabeça. A bendita cidadezinha não chegava nunca e as subidas não paravam nunca também.

Depois de muito subir tive uma miragem, ops, não era miragem. A bendita cidade de nome estranho "Norquinco" surgiu lá no fundo da paisagem. Me senti o ser mais feliz do mundo.



A cidade na verdade era um povoado de umas cinco ruas. Fui a uma escola ver se tinha gente e nada (claro, era sábado de aleluia!!!). Mas vi um casal na frente da sua casa. Perguntei a eles se sabiam de alguma hospedagem e eles disseram que não havia nada desse tipo na cidade. MASSSSSS, que eles podiam me oferecer um lugar pra dormir no HOSPITAL.

Fiquei meio sem entender, mas depois compreendi. Eles eram médicos, o hospital tava vazio e disseram que eu podia passar a noite lá. Eu, LOGICO, mais que depressa aceitei.

Essa foi a noite mais inusitada da viagem, passei a noite numa cama da maternidade do hospital...hehehe...com direito a janta de enfermos e tudo mais!!!Uma noite de hotel cinco estrelas!!!



A viagem tem dessas coisas, dia nenhum é igual ao outro. Isso me encanta!!! O fato de muitas vezes eu não saber onde vou passar a noite, como vai ser o dia... também me encanta. Tudo tem sido muito especial e diferente de tudo que eu poderia viver!!!

Seguindo caminho...dia seguinte finalmente eu iria chegar pertinho da Cordilheira dos Andes. E cheguei!!!!

Depois de El Maitén era asfalto (uhuuu), mas também muito carro e caminhão ( haaa nemmm), mas tá valendo. Nem tudo é perfeito nessa vida.

O pedal do dia rendeu e depois de muito subir e descer, cheguei a um lugar encantador chamado Lago Puelo. Lá, pela primeira vez os bombeiros me rejeitaram... mas tudo na vida tem um motivo. Achei um hostel lindo, por um preço acessível e pude passar três dias descansando, praticando yôga e relembrando um pouco das aulas de circo, praticando tecido.



Em Lago Puelo, visitei o parque nacional, que é lindo, mas que estava em grande parte com a vegetação queimada. SIM, essa região havia passado por uma série de queimadas (há quem diga que intencionais), que destruíram grande parte do parque e também casa de pessoas e dos guarda parques. Mas, mesmo assim, o lago se mostrava lindo e belo.


De Lago Puelo segui a EL Bolson, cidade encantadora, com ar hippie hippie, cheia de lugares lindos pra visitar. Aí conheci muita gente bacana. Os meninos que me receberam em sua casa, dois malucos gente finíssima Brian e Niko... com eles compartilhei dias muito divertidos, regados sempre a muita comida e bebida (mas isso tudo só porque eles estavam de férias né? rsss ) e também com eles passei o meu aniversário.

Eles prepararam um lindo jantar pra mim, fiquei muito muito feliz. Quando me despedi dos meninos, já me sentia tão em casa que realmente foi foda, como sempre é. Mas, coisas da vida. Mas também certeza de que vão ficando amigos pelo caminho. Eles até brincaram que eu tinha passado no teste e agora já podia ficar mais dias lá...rss...




Há, em El Bolson, passou algo bem legal também. Um dia, eu na praça da cidade, esperando dar a hora pra ir pra casa dos meninos, um homem se aproximou de mim. Se apresentou, perguntou coisas da viagem e depois me convidou pra tomar um mate em seu casa mais tarde.

A gente, no olhar, descobre se pode confiar nas pessoas. E, eu confiei nele, e por isso fiz mais um amigo. Não só tomamos mate, mas ele me convidou pra conhecer sua casa, sua família e ainda me presenteou com sua companhia em dias divertidos, me mostrando um montão de paisagens lindas e também com muita história local.

No fim das contas, foi mais um grande amigo que fiz, o Carlos!!!!


Há como a vida é linda!!! A gente tem que saber aproveitar. O Carlos, quando fomos nos despedir, me agradeceu por eu ter confiado nele e por não ter pensado mal do seu convite. Vejam isso gente. Eu achei a coisa mais linda !!! Eu não desconfiei, simplesmente, porque confio nas pessoas e vi nos seus olhos que ele era um ser de bom coração. E tenho feito assim e as coisas tem dado certo.

E penso que a vida é isso... a gente tem que esperar e pensar positivo....fazendo isso coisas boas acontecem...tudo é uma ação e reação....pense positivo, aja positivamente e o retorno é certo!!! Simples assim!!!

Depois de dias de descanso em Lago Puelo e EL Bolson, eu segui rumo a Bariloche. Finalmente. Uma linda estrada, cheia de subidas, mas subidas mesmo!!! Cheia de paisagens lindas que compensam. Cheia de lagos lindos. E eu, fui presenteada com um dia lindo pra passar por isso tudo.



Bom, em Bariloche fui recebida lindamente por uma pessoa (mais uma) muito especial, em sua casa. Conto já já como foram os dias em Bariloche a espera da minha amiga Andréa, que , de novo, voltou pra pedalar comigo (EBAAA!!!!) e conto também como foram nossos dias de pedal pela famosa (e linda) "Ruta dos Sete Lagos", com direito a cinzas de vulcão e tudo mais!!!

É isso aí, pouco a pouco as histórias vão surgindo!!!

Até já e boas pedalADAs.



Mais fotos deste trecho da viagem em aqui!!!


Resumo da Viagem:

Dia 73 – Viedma a Jacobacci => Em trem (+- 600km)
Dia 74 – Jacobacci => tentativa de pedal em vão 20km - Dia de folga – Hospedagem Econômica
Dia 75 – Jacobacci a Manuel Choique => 81km – Hospedagem no meio do caminho
Dia 76 – Manuel Choique a Norquinco => 80 km – Hospedagem Hospital da cidade
Dia 77 – Norquinco a Lago Puelo => 111 km – Hospegagem Hostel La Luna
Dia 78 e 79 – Lago Puelo => Dias de descanso
Dia 80 – Lago Puelo a El Bolson => 20 km – Hospedagem em couchsurfing
Dia 81 a 83 – El Bolson => Dias de Descanso
Dia 84 – El Bolson a Bariloche => 120 km ( 50km de carro e 70 km pedalando)

Distância total percorrida no Brasil => 1026 km
Distância total percorrida no Uruguai => 630 km
Distância total percorrida na Argentina  => 
             De Buenos Aires a Viedma = 1048 km
             De Jacobacci a Bariloche = 372 km

Distância Total Percorrida: 3074 km
(contando apenas as distâncias entre as cidades, porque de km pedalados do odômetro é bem maior, já que dentro da cidade existe  deslocamento também)

    Gostou da ideia, quer saber mais e principalmente fazer parte dessa ideia maluca? 

    Vem aqui e veja como pode colaborar!!! :)


    Quer saber das outras pedalADAs e onde estou agora? Veja aqui no mapa !

    Bons pedais pessoal e até as próximas!!!














    Comentários

    1. mulher, parabéns pelos 3.000km! imagino o orgulho que está sentindo de si mesma, eu explodiria de felicidade e juntaria os caquinhos p/ pedalar mais ainda. Bravo Ada!
      adorei o post,fotos lindas. gostei das estórias tbm. Do casal simples do meio do nada ( acho que vc deu asas a imaginação de letícia, isso é muito bom pq mesmo que ela não saia muito longe dali, vai ter o prazer tbm de sonhar, é que nem eu aqui em brasólia, sinto até o friozinho na barriga quando leio as estorias dos viajantes)) e de ter confiado no Carlos...o bem se mostra né? que delícia é confiar e abrir o coração. Que nem diz uma música ' nesse mundo tem mais gente boa do que gente má'. adoro saber que os viajantes que acompanho só comprovam isso pelo mundo todinho.Viva essa energia boa!!!!
      um beijão
      força nessas pernas!
      (já to na espera do próximo post)
      suerte :)


      aaaaaa, vou deixar a música aqui. é linda, se rolar de vc escutar, vai gostar. certezona!
      https://www.youtube.com/watch?v=_W-GcTUFgUA

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      Respostas
      1. Grazinha,
        como é bom ver mensagem sua aqui...eu escuto vc falando tudo sabia?
        Ai que saudade mulher!!! Vem pedalar comigo vem? As vezes penso em como você ia gostar de estar em determinados lugares, vai ver é porque você ainda vai passar por eles um dia...
        Mas também penso como nosso país é rico de belezas e as vezes não aproveitamos né? Aproveita nosso cerrado que ele é lindo também!!!
        Bom, saudade imensa de ti...
        Amei seu cabelinho...quero coragem pra fazer igual...um dia quem sabe!!!
        Beijo nega!!!

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    2. soy de san anotnio, subieron unas fotos al facebook de ciclovia para san anotnio., me gustaria conoserte, mañana andare en valparaiso y me dijeron los muchachos que ud tambien si pudiera comunicarse yo puedo ofrecerle un lugar para alojar en valparaiso mi nombre paa que puedas encontrarme en facebook es geo sol, te dejo mi numero 97232906, quisiera saber de su viaje ya que yo partire en tres semanas mas
      saludos

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      Respostas
      1. Hola Geovana,

        que lástima que vi su mensagen solamente ahora...
        ya estoy en Argentina de nuevo...pasé por Viña unos días...una lastima no ter conocido a ti.
        mi e-mail és adacordeiro@gmail.com ...
        Saludos!!!!

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    3. Que paisagens e cores, Adinha. Viva!

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