Uma pedalADA pela América - PERU - De Abancay a Equador...passando por Nazca, Paracas, Lima e Parque Nacional Huazcaran



E então, finalmente, começamos a pedalar de novo rumo à cidade de Nazca. Saímos de Abancay e já começamos com uma descida bem bonita...chegamos à 1800mts de altitude e começamos a pedalar bem próximos ao um rio que nos seguiu por um bom tempo...ou quem sabe a gente seguiu o rio...



Sem perceber subimos....e subimos.... quando o rio já não estava mais ao nosso lado a gente já estava de novo a 4000mts de altitude...e assim foi de novo por mais quatro dias...intercalando 4000, as vezes 4200 e muitas vezes 45000 mts.

E com toda essa altitude veio o frio, sim...muito frio... as paisagens lindas, como aquelas da Bolívia, do norte da Argentina e do norte do Chile...muitas recordações vieram a mente... foram dias cinzas, com pouco de chuva, muita subida (muita mesmo), de muito silêncio e pensamentos a mil, mas também dias de muito sol, sem vento, dia perfeito pra se comemorar 10.000 km e 9 meses de viagem... dia perfeito pra despedir dessas altimetrias loucas.





Foi na reserva nacional de Pampa Galeras, uma reserva de uns animaizinhos lindos chamados de vicuñas, que começamos uma descida inacreditável... algo como que uns 80km de pura descida...essas descidas sem dó, que saem simplesmente de 4000 mts de altitude e te levam a 600mts. Foi realmente uma descida linda pra chegar a cidade de Nazca.





Em Nazca chegamos ao deserto...de novo as paisagens mudam completamente...o clima também (que lindo...aí já faz calor)!!! A cidade é muito famosa pelas “linhas e geóglifos de Nazca” que são desenhos feitos pela civilização Nazca, em meio ao deserto, estima-se que são de 400 e 650 d.C.



As linhas são desenhos rasos feitos no chão. Centenas são simples linhas ou formas geométricas, com mais de setenta desenhos de animais, aves, peixes ou figuras humanas.

Bom, a verdade verdadeira é que pra ver tudo precisa ir de avião e isso sai um pouco caro (pra mim na atual conjuntura sócio econômico financeira... bastante caro...rss...). Mas, uma grande amiga, a Andréa, que está pedalando comigo pela 3ª vez nesta viagem me disse: “ não amiga, se já está aqui tem que ver...vai saber quando você volta aqui!” Resumo da história, ela lindamente me deu de presente o voo...ai que delicia que foi. Mas também deu medo, esses aviões teco-teco sei não!!! E também deu vontade de vomitar...hahaha...mas segurei bem a onda...

Bom, de verdade, fiquei imensamente agradecida a ela por tudo, pela companhia nestes dias e pelo lindo presente. Achei os desenhos interessantes, visto de cima realmente são assim impactantes, porque são grandes e perfeitos.





Porém, contudo, entretanto... fiquei intrigada com aquilo visto de cima e queria ver as linhas de perto...fizemos isso no caminho saindo de Nazca e o que eu achei? De verdade, nem é tão impressionante assim visto de baixo. São linhas finas, rasas... fiquei sim intrigada em saber porque elas não somem com o tempo. Mas enfim... penso que é interessante, mas nada impossível de ser feito, inclusive nos dias de hoje...basta ter tempo e conhecimentos físicos, matemáticos ou sei lá quais.



Foi interessante conhecer, mas não me deixou tão impressionada como as construções incas. Estas sim, são impressionantes e até os dias atuais se perguntam como foi possível fazer todas as construções, como as de Machu Picchu, em locais tão remotos como as montanhas onde elas estão!!!

Mas enfim...a vida seguiu e a gente seguia rumo ao mar, que ficava cada vez mais perto...passamos antes na cidade de Ica, conhecemos um Oasis, sim um oásis no meio do deserto, chamado Huacachina. 



Pensávamos que seria o paraíso, mas nos decepcionamos...era turista saindo pelo ladrão...cheio, muito cheio e ainda, as pessoas não muito amáveis. Colocamos nossas barracas pertinho do lago e saímos pra jantar....estávamos acostumados com a tranquilidade do altiplano, mas aqui foi tudo diferente...pela primeira vez nos roubaram...não foi muita coisa, mas ficou um sentimento ruim...tristes com o acontecido fomos chorar nossas mágoas nas bodegas de Pisco que tinham ali pertinho. Foi um dia de degustação e muito aprendizado sobre o Pisco...rsss...difícil foi levantar no dia seguinte pra pedalar...rss...



Assim seguimos e finalmente chegamos de novo ao Pacífico. Há que bom foi ver o mar de novo e ainda por cima num lugar bem bacana chamado Reserva Nacional de Paracas. São praias em meio ao deserto, mas bonitas, com uma vida, principalmente de aves, bastante exuberante e também com lindo por do sol.





Foram dias de férias...e mais especial ainda porque aí encontramos outro brasileiro, o André (Planeta Pedal) que também viaja de bike. Aí também encontramos e ficamos amigos de um lindo casal de uruguaios que viajam de fusquinha a Eliane e o Nando e o mais impressionante: um casal de argentinos que viajam num R12 com suas filhinhas gêmeas de 1 aninho. Detalhe, elas nasceram na estrada!!!!! Adoro encontrar pessoas assim....há os olhos brilham de felicidade porque eles provam que as limitações pra tudo somos nós que impomos.







Conto pra vocês que o encontro com o André foi assim esperado, mas não esperado como de fato aconteceu. Eu seguia a viagem dele, desde que ele começou e ele há algum tempo me seguia. Um dia postei algumas fotos de Machu Picchu e então ele me perguntou se eu estava por lá. Só que eu posto as fotos sempre depois de muito tempo, eu já estava a caminho de Naska. E ele me disse que em alguns dias viria de Lima em direção a Paracas...

Ficamos nos atualizando de nossos caminhos e casualmente nossos caminhos se cruzaram aqui em Paracas. Eu fui bem cedinho ao Parque Nacional porque ele me disse que estaria lá acampado numa praia.

O caminho até lá foi lindo, um nascer do sol incrível e paisagens deslumbrantes. Cheguei e de longe avistei uma barraca, mas nem quis me aproximar, porque era cedo demais e não queria acordar a pessoa.




Fiquei ali sentada vendo o mar e o deslumbrante espetáculo dos pássaros até que sou surpreendida com uma voz doce e calma que acabava de acordar. "Oi morena, de quem é essa bicicleta linda que tá alí?". Bom, é verdade que essas não foram as palavras exatas, mas foi mais ou menos assim que começamos nosso papo, que rendeu como se nos conhecêssemos há muito tempo.


Eu estava com os meninos na cidade de Paracas, num hostel, e o André disse que podia ir pra lá, assim passava com a gente um dia. Eu disse que voltava lá mais tarde e assim ele vinha com a gente. Nos despedimos. Eu confesso que senti algo tão bom em conhecê-lo...algo leve...algo assim que me deixou feliz.

Voltei animada pro hostel. Comprei frutas e preparei aquele café da manha. Pela tarde fomos dar uma volta pela Reserva Nacional de Paracas e encontramos de novo o André. Ou o que seria um corpo estendido no chão. O sujeito tava lá estirado na areia, no sol quente. rss... Disse que só acordou porque escutava de longe vozes em português. 




Foi legal esse encontro, estávamos eu, Andréa, André e Rogério. 4 cicloturistas brasileiros. Foi muito bom ter esse encontro de brasucas. Voltamos todos ao hostel, pedalantes e contentes. Eu fazia mil perguntas ao André e ele o mesmo pra mim. Era divertido pedalar esses poucos quilômetros com ele.

Vocês sabem, juntou tanto brasileiro assim dá festa. Decidimos preparar uma comida coletiva. Chamamos nossos amigos uruguaios e juntos preparamos uma janta daquelas acompanhada de música, cerveja e pisco...pronto a festa dos próximos dias estava armada.



Foram dias lindos aí...regados a muita cerveja, pisco, música, comida boa, praia, por-do-sol, noite estrelada, violão, pandeiro e cafunés. Sim, de cafunés... não estava nos planos resistir ao sorriso, abraço bom, cheiro no cangote, beijo de boa noite, carinho ao acordar. Não estava nos planos resistir à uma pessoa tão linda, por fora, mas principalmente por dentro, uma pessoa que tem sorriso no olhar (isso é tão raro) e simplicidade e ao mesmo tempo tanta sabedoria. Eram tantas qualidades e valores em uma pessoa, que se tornava ainda mais linda porque tinha como companheira de viagem a Salsa, sua bicicleta. E foi bom não resistir aos cafunés e me render a dias de tanto amor e carinho.

Coração de cicloturista é carente e as vezes é bom encontrar outro coração, ainda mais um outro coração cicloturistico, pra compartilhar momentos bons. Ainda que isso signifique um aperto no peito na hora de ir embora.



E isso fatalmente e realmente aconteceu...era hora de seguir...e eu seguia rumo ao norte e ele rumo ao sul... cada um precisava seguir seu bonito caminho, rumo ao que sonhou lá atrás...e assim era...foi difícil... pedalamos juntos alguns quilômetros antes da despedida. Os meninos, despediram e seguiram na frente. Nós ficamos ali, naquele trevo, naquele abraço apertado, naquele beijo longo, tentando dizer coisas bonitas, pra cada um seguir em paz. Não foi fácil. Nunca é, mas dessa vez foi muito pior.

Há coração, não aprende...não aprende a ser forte...era preciso seguir. E seguimos. Eu olhei e longe ia Andrezito e Salsa...seguindo rumo aos seus sonhos...Eu seguia com a Branquinha, tentando pedalar forte pra despistar as lágrimas que escorriam nos olhos.



Assim foi por quase 50km...assim foi talvez por alguns dias...pensando naqueles dias que ficaram em Paracas...


Rumo ao norte seguimos e em poucos dias chegamos à Lima...mais uma capital, mais uma cidade grande, com suas belezas e também complicações.





Em Lima ficamos uns dias, viriam comemorações de aniversário e também despedidas...me despedi do Rogério que terminou aqui sua viagem de 8 meses de bike e me despedi também do Antoni, grande amigo espanhol que me acompanhou (e me aguentou com todas as chatiçes e TPMs) por mais de 2 meses... nem gosto de pensar porque daqui a alguns dias me despido da Andréa também...essa mais que amiga que dessa vez bateu seu recorde e me aturou por 40 dias...rss...



Aqui uma nova fase da viagem começa...me preparo para de novo seguir meu caminho...eu e Branquinha, até que de novo encontremos novos amigos, ou antigos, pelo caminho!!!

“Encontros e despedidas...E é assim chegar e partir...são só dois lados da mesma viagem...”



Eu resolvi seguir de ônibus até Huaraz (está ha 500km de lima) por dois motivos: primeiro porque a Andréa queria conhecer Huaraz e suas lindas montanhas, mas ela teria apenas uma semana a mais de viagem...então ir pedalando era impossível...e segundo porque meus dias de visto no Peru estavam quase no fim, menos de um mês, o que significava que eu tinha que seguir mais rápido...

Enfim, por estes dois motivos seguimos em bus até Huaraz...a cidade normal, mas as redondezas...lindamente rodeada de montanhas brancas... aí nesta região está a famosa Cordilheira Branca, uma cadeia de montanhas, onde está situada a montanha mais alto do Peru, de nome Huascaran.

Bom, aí pertinho de Huaraz fomos a conhecer um dos lugares mais lindos que já fui. Até então nunca tinha visto um glaciar...e fomos conhecer o glaciar Pastoruri...ele está a 5000 mts de altitude, uma coisa de louco....foi a primeira vez que subi até os 5000mts, o coração sentiu os efeitos da altura, mas suportou (danadinho esse coração)...




No outro dia, pegamos a bike e seguimos em direção ao Parque Nacional Huascaran pra conhecer as lagoas Llanganuco e Laguna 69. Foram dois dias de pedal pra chegar ao parque...de novo subi pedalando de 2.200mts até mais de 4000mts de altitude, isso em menos de 30km.








Não tem jeito, eu falei um montão de vezes que não ia voltar pras montanhas, mas a verdade é que as montanhas me chamam...é duro pedalar aí, mas o sentimento de paz, de encontro consigo mesmo não tem preço...e também eu sou de Minas Gerais, terrinha de montanhas...meu coração é montanheiro e é isso que importa.

Os dias que passei dentro do parque nacional foram incríveis. Foram poucos dias, mas foram dias intensos. Passei algumas noites com os guardas parques que nos receberam super bem, dando cama quentinha e abrigo. E ainda ensinando tudo das montanhas e até me presenteando com aulas particulares de Quechua. Há que saudades do Pablo, um querido guarda parque que quase me convenceu a ficar mais (e hoje me pergunto porque não fiquei).






As paisagens do parque nacional são lindíssimas...a verdade é que não dá vontade de sair de lá. A Laguna 69, um visual impressionante. Uma laguna e sobre ela um glaciar incrivelmente lindo. Foram os dias mais lindos para me despedir da minha amiga Andréa, que ainda se arriscou a perder seu voo, e ficou um dia a mais com a gente no parque. Depois saiu feito louca em direção a Lima a menos de 24hs do seu voo.

De novo a despedida foi dura e rápida...nem tivemos muito tempo pra chororô...mas depois que ela se foi não teve jeito de conter as lágrimas e eu, sendo consolada pelo amigo guarda parque Pablo.






Encontros e despedidas sempre...e a vida segue...

Dormi mais uma noite no parque e no dia seguinte segui em direção a Caraz...depois de dias na montanha, no mais puro contato com a natureza, sem energia elétrica... o contato de novo com a cidade é duro...principalmente, o pior é ter que escutar de novo as buzinas, que são irritantes, neste trânsito meio louco peruano.

Mais duro e também bonito, foi seguir de novo somente eu e Branquinha, depois de 4 meses com muitas e boas companhias seguimos sós... Era de novo a gente completamente dona do nosso tempo e destino. Foi estranha, mas ao mesmo tempo uma sensação boa...um reaprendizado...as vezes dava o mesmo o friozinho na barriga de quando saí do Brasil...



Um comentário que faço, sobre o pedalar sozinha e em grupo, foi que realmente no Peru, senti uma diferença enorme no tratamento geral nas estradas depois que estava só...buzinar era normal, os peruanos buzinam até pra uma formiga que passa, eu acho, mas senti que depois que estava só sempre rolava alguns comentários quando passavam de carro, e comentários as vezes chatos e machistas, que não senti em nenhum outro país, mesmo nos seis meses que viajei igualmente só...isso me incomodou bastante... enfim, apenas um desabafo...

De Caraz ia seguir a Trujillo.. A estrada passa pelo Cañon del Pato, um cânion, onde a Cordilheira Branca e Negra se separam por menos de 15 metros... e a estrada ali, serpenteando toda essa beleza. A estrada é linda...em menos de 100km mais de 50 túneis. É realmente uma estrada impressionante, os túneis escavados nas montanhas, e de uma pista só. O coração as vezes acelerava com medo de cruzar com algum veículo em sentido contrário.










Depois já de volta à Panamericana estrada chata em meio ao deserto....mas por mais chato que podia parecer ganhei de presente uma Panamericana só minha. Eu passei aí num domingo e eles estão fazendo a duplicação da pista. A segunda pista já está quase toda pronta. Como essa pista ainda não está liberada para os carros eu ia por ela... e então como não tinha gente trabalhando, era só eu e Branquinha...voamos por 120km de Chimbote a Trujillo, num dia de bons ventos e boa estrada. Foi muito bom porque por quase todo tempo pedalei tranquilamente, sem me preocupar com os caminhões que estavam ali bem ao lado.

Em Trujillo, como quase todas as cidades do Peru, chegar na cidade é uma loucura...carros, vans, motos, gente, buzinas e numa confusão louca. A verdade é que os 2 km dentro da cidade foram mais tensos que os 120 de ruta Panamericana.

Aí fiquei hospedada na famosa Casa de Ciclistas, a casa mais antiga da América Latina. Fundada por Lucho em 1984. Ele mantêm em sua casa um espaço dedicado aos cicloviajantes de todo mundo que passam por aí.



Quando estava aí encontrei um casal de alemães, que devem está com pouco mais de 60 anos, e que todo inverno na Alemanha saem a viajar. Eles viajam de bike 6 meses ao ano e assim já conheceram muitos países. Também uma linda fonte de inspiração. Aí também conheci o Antoni, outro alemão, de 19 anos, que viajava de mochila, mas resolveu comprar uma bike e agora viaja de bike e mochila...rss...lindo ele, com seu jeito de meninão, me fez lembrar meu sobrinho Thiago.

A verdade é que passei em Trujillo mais pela casa de ciclistas que pela cidade. Depois de uns dias de descanso, segui até Jaen.

Em Jaen conheci uma família maravilhosa e que me ajudou muito...Deus sempre envia anjos na nossa vida.



Conheci o Miguel e sua linda família. Ele tem uma loja de bike na cidade “El Ciclista” e ajuda a todos os cicloturistas que passam por aí... Ele me salvou a vida, ajudou de novo a consegui resolver um problemão com a Branquinha (a velha história do parafuso do bagageiro quebrado no quadro)...enfim, depois de muito buscar encontramos outro anjo que resolveu o problema.



O mundo precisa de pessoas de boa vontade...


Ontem resolvi dar uma geral na Branquinha, limpar, verificar os parafusos porque passei por algumas estradinhas de terra daquelas...



Quando fui ver o parafuso do bagageiro, vi que estava quebrado...de novo, do mesmo jeito que já havia se passado em outras viagens...


O problema é que metade do bendito parafuso ficou dentro do quadro, então não podia substituir por outro, tinha que antes tirar esse pedacinho que ficou preso aí...

Eu já sabia o que necessitava, de um soldador, ele ia soldar a metade quebrada e então desenroscaríamos e pronto, problema resolvido.

Busquei um soldador, mas de verdade, a má vontade das pessoas às vezes é tanta, e eles veem o seu problema como insignificante e nem querem ajudar...

Em uns dois que fui a resposta era, “estou muito ocupado agora não posso”, ou simplesmente “isso não se pode fazer” (detalhe, sem ao menos olhar ou deixar você explicar)...

Saí desses lugares decepcionada, com as pessoas na verdade, que sequer tiveram boa vontade em escutar e em tentar buscar uma ajuda...mas enfim, o mundo tá cheio de pessoas de todo tipo.

Mas aqui na cidade de Jaen, já pertinho da fronteira com o Equador, tem uma pessoa muito bacana, o Miguel. Ele tem uma loja de bikes e ajuda os cicloviajantes como pode. Já haviam me recomendado ele. Cheguei aqui e ele e sua família me receberam super bem. Ele, sem poder resolver meu problema, por não ter os instrumentos necessários, saiu comigo pela cidade em busca de ajuda...

Com ele também tivemos muitos “não, agora não posso”, mas um deles foi diferente...já foi olhando a bike, buscando os instrumentos e conseguiu fazer o trabalho em menos de 5 minutos. Assim, na maior vontade de ajudar o próximo. Eu lá olhando a Branquinha ser operada...tensa...mas no fim deu tudo certo...ela saiu super bem, pronta pra encarar os próximos km de estrada rumo a um novo país.

O José, este que consertou a bike, não aceitou um centavo como pagamento. Me disse que era uma colaboração pra viagem e que isso, a ele não lhe custava nada. Mal sabe ele como pra mim essa ajuda foi grandiosa. Saí com mais certeza ainda que o mundo sempre tem mais pessoas boas que ruins...e as vezes tudo é apenas uma questão de Boa Vontade!!!

Gratidão Miguel e José pela grande ajuda de hoje!!!!



O Miguel além de me ajudar, me deu abrigo neste dia que fiquei aí e muito mais que isso, pediu ajuda a seus amigos, em duas outras cidades pelas quais eu passaria.
Eram meus últimos 3 dias no Peru, e estes dias, foram realmente muito bons.

Estradas lindas...muito verde, muita subida, mas principalmente muitas pessoas boas cruzando meu caminho. Agradeço a linda família do Milton Flores, um grande ciclista peruano, que me deu abrigo no povoado de Perico, ali na sua linda e simples casa com sua esposa e filhos. Ele também vive ajudando a todos que passam por aí e precisam de abrigo. Coração gigante essa família.

E na última cidade que dormi o Jorge, também amigo do Miguel, me recebeu em sua casa, com sua família e amigos.

Não tenho palavras pra agradecer a essas pessoas, na verdade a todos os peruanos. Esse povo, em sua maioria, é muito acolhedor.

Saí do Peru, já quase expulsa...depois de quase 3 meses.

Eu que antes pensava em ficar um mês....acho que foi o país que mais fiquei durante a viagem até agora...aqui conheci um pouco de tudo...montanhas andinas, cultura inca, selva, praia, deserto, de novo montanha e pra fechar a serra selva (um mixto de serra com selva). São paisagens lindas que vão ficar guardadas na minha memória.

É certo que volto um dia...apesar de todo esse tempo, muito ficou por conhecer...e muita coisa linda. Viajar de bike é assim, sempre tem que fazer escolhas e não se pode ver tudo. Mas, foi realmente um país em que imergi em sua cultura, em seus costumes.

Mas a estrada segue e aqui estou em novo país...que já em seus primeiros km me cansou, mas me encantou...Equador...7º país da viagem!!!!


RESUMO DESTA PARTE DA VIAGEM:

Abancay a Puente Pampa - Hospedagem Casa Comunal
Puente Pampa a Challhuanca - Hospedagem Escola
Challhuanca a Izcahuaca
Izcahuaca a Pampamarca
Pampamarca a Negro Mayo
Negro Mayo a Puquio
Puquio a Pampa Galeras
Pampa Galeras a Nazca
Nazca a Palpa - Hospedagem Igreja
Palpa a Huacachina - Camping na lagoa (se vai fazer isso tome cuidado com roubos)
Huacachina a Ica - Hospedagem Warmshowers
Ica a Paracas - Hostel
Paracas a Chincha Alta - Hospedagem Bombeiros
Chincha Alta a Mala  - Hospedagem Warmshowers
Mala a Lima (Miraflores) - Hospedagem Hostel Casa del Mochilero
Lima a Huaraz (bus) - Hospedagem Warmshowers
Huaraz a Aira - Hospedagem Escola
Aira a Parque Nacional Huascaran
Parque Nacional Huascaran a Caraz - Hotel
Caraz a Mirador - Camping no povoado fantasma
 Mirador a Santa - Casa cedida por policial
Santa a Trujillo - Casa de Ciclistas
Trujillo a Jaen (bus) - Casa do Miguel Warmshowers
Jaen a Perico - Casa do Milton Flores
Perico a San Ignacio - Casa do Jorge
San Ignacio a Pukabampa (Equador) - Rede no poliesportivo



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